A bolsa é repleta de ações que um lote (100 ações) não ultrapassa a casa dos R$200,00. Muitas delas são verdadeiras penny stocks, aquelas que valem apenas um “tostão” e tem um enorme potencial de valorização.

A análise abaixo é puramente fundamentalista, as informações contidas estão no site de cada empresa na parte de Relação com Investidores (RI), assim, analisando o cenário econômico atual e a propensão dos negócios fechados pelas empresas, aconselho algumas ações cujos preços estão uma verdadeira pechincha que chamaremos de penny stocks e desaconselho outras.

Ideiasnet (IDNT3) –  Cotação em 21/06: R$1,50.

É a minha preferida, recomendo com bastante pé no chão. Em janeiro deste ano a companhia acertou com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) um acordo de R$600 milhões, isto da um valuation de aproximadamente R$4,00 por ação e não deve demorar muito para atingir o patamar. Não deixo de considerar uma pequena margem de erro, mas de qualquer forma, a empresa deve decolar seu valor de mercado até o próximo ano.

Em fevereiro, logo após de fechar com o BNDES, a companhia vendeu 100% da Bolsa da Mulher por R$45 milhões e 18,2% de seu FIP I para a Paul Capital por R$79 milhões, o que nos leva a calcular um valor de R$435 milhões para todo o FIP. Logo o mercado vai atualizar o novo valor da Ideiasnet e isso vai ser muito bom. Na teoria de Warren Buffett, talvez esta seja um charuto sendo vendido a preço de guimba de cigarro.

Mangels (MGEL4) –  Cotação em 21/06: R$0,95

Há 52 semanas caminhava na casa dos R$4,00. A queda de mais de 50% neste ano fez a empresa valer R$27 milhões em bolsa. No ano passado a Mangels apurou R$650 milhões de receita líquida, no entanto o caixa consolidado da companhia fechou em R$195 milhões.

Vejamos o que os principais analistas da setor de siderurgia disseram acerca da Mangels:

“Há motivos para crer que os resultados da companhia já bateram no fundo do poço, uma vez que Mangels descontinuou os negócios menos rentáveis, o que traz importante componente de enxugamento de despesas operacionais para os próximos trimestres e o setor está sob forte ambiente de estímulos, com renovação do benefício de IPI reduzido e incentivo ao crédito para financiamento de veículos.”

penny-stocks

O grande problema da Mangels. A companhia está com uma dívida de R$405 milhões para pagamento de R$100 com vencimento em curto prazo, não que seja impossível para a empresa, pois ainda antes dos resultados trimestrais a mesma possuía uma dívida de R$465 milhões com vencimento de R$130 no curto prazo, agora, meses depois, a companhia apresenta uma queda de R$60 milhões nas dívidas sendo R$30 milhões na dívida de curto. Isso gera uma confiança maior na empresa em se tratando da capacidade de honrar seus compromissos. Enfim, aconselho a Mangels para um longo prazo, ainda considerando que a empresa detêm um forte nome e gigantes do setor, como a Gerdau, não descartaria a hipótese de aproveitar a chance da empresa estar uma pechincha e fazer, quem sabe, uma aquisição.

Inepar (INEP4)  – Cotação em 21/06: R$1,36

Alguém que já foi blue chip em um passado não muito distante e hoje anda na casa das pechinchas. O valor intrínseco da companhia está com base na sua carteira de pedidos que está voltando a crescer na casa dos R$5 bilhões. Porém falta na companhia melhor administração financeira, pois as margens operacionais e os resultados financeiros estão corroendo os ganhos, então, uma carteira desta magnitude perde sua eficiência.

Visando tampar este buraco e melhorar esta administração a companhia contratou Morgan Stanley (uma empresa global de consultoria financeira, com sede em Nova Iorque e sub sedes em mais de 42 países) como consultor financeiro e o escritório Lefosse Advogados para cuidar dos contratos e o aspecto legal da companhia.

Baseado no histórico destes gigantes do mercado a companhia tem tudo para mudar seu patamar, mas cabe aqui um enfadonho pensamento: confiança se conquista com anos e se perde em um dia. Assim, o trabalho da empresa para conquistar a confiança do investidor novamente deve custar um pedaço de tempo, portanto, aconselho a longo prazo.

Caro leitor, as penny stocks: Energisa (ENGI4), Forjas Taurus (FJTA4), LLX (LLXL3) e Lupatech (LUPA3), não recomendo. Claro que estão uma pechincha, mas acredito em alguns motivos convincentes que me fazem ficar fora destas empresas, por pelo menos nos próximos meses.

A ENGI4 não precisa dizer muito, o setor de energia foi altamente danificado com as políticas de concessão, eu praticamente ficarei fora do setor por todo este ano, mas se há alguém que gosta do setor por causa dos seus bons dividendos, que seja então na TAESA (TAEE11), mas esta, o seu preço foge ao patamar das penny stocks.

A FJTA4 está com seu preço um pouco acima do valuation real da companhia e acabou de registrar um trimestre de queda, porém o preço justo da ação ainda não foi atingido pelo mercado.

A LLXL3 tem um alto custo de oportunidade e baixa visibilidade, além de ser uma empresa que dá apoio eventual a empresas maiores e uma das empresas com que fechou contrato foi a Petrobrás e o governo não tem dado, digamos “bola”, para essa “gigante queridinha” atualmente.

A LUPA3 está no mesmo caminho que a LLXL. A companhia produz todo o maquinário para a extração de petróleo e tem como alicerce de suas finanças a gigante Petrobrás, que anda “ruim das pernas”, com quem tem um contrato até 2017.

Espero ter sido claro e objetivo na explicação das penny stocks. Um abraço a todos.

 

Escrito por: Luciano Moulin
Estudante em Ciências Econômicas pela PUC.

 

Obs G.I. : Não recomendados compras ou vendas de ativos, a análise acima deve ser utilizada como base de estudos e o investidor inteligente tem de tomar sua próprias decisões baseada em suas próprias análises e perfil.