Essa série comecei a escrever tem algum tempo e ficou estagnada por desânimo pessoal devo confessar, quem acompanha o blog desde o início sabe que mudo bastante de emprego devido a área, tenho muitas oportunidades e consigo me encaixar fácil no mercado por conta do conhecimento na área e pelo networking. Para quem não acompanhou recomendo que leia os primeiros artigos: Parte 1 e Parte 2.

Desde que comecei a ler sobre investimentos sempre me vem a cabeça a ideia de ter meu próprio negócio, livre de supervisores, gestores, diretores, horários terríveis e atividades estressantes que fazemos apenas pelo dinheiro, acredito que o negócio próprio nos forneça além de uma maior possibilidade de ganho financeiro, uma liberdade de fazer aquilo que gostamos e queremos, da forma como julgamos estar certa e ainda encontrando pessoas que pensam do mesmo jeito para fazer o negócio crescer.

Arriscando

Então a pergunta que mais está vagando pelos pensamentos agora é “quando é a hora de arriscar?” e sinceramente não sei a resposta, já li diversas histórias e até biografias de empreendedores e investidores bem sucedidos, o problema é que esse ponto entre o trabalho fixo e a estabilidade como empreendedor ou investidor é muito tênue e deixado de lado, talvez propositalmente. Quando estamos lendo os livros nossa mente vai longe imaginando como é simples largar tudo e ir para cima do que gosta, só que não é tão simples assim na prática, hoje com um salário bem acima do círculo de empregados que frequento começo a notar que quanto mais tempo fica no emprego fixo mais difícil se torna largá-lo, porque dentro dessa decisão está largar nosso padrão de vida atual e não só um emprego chato, nessa decisão estamos abdicando da segurança de todo mês ver um bom dinheiro cair em nossa conta bancária e com ele ir no restaurante que gostamos, pegar um cinema, comprar um presente para alguém que gostamos ou alguma roupa nova que queremos muito.

riscos

 Defini então uma meta para largar o trabalho e arriscar, enquanto isso estou fazendo várias pesquisas de mercado verificando: concorrentes, público, margem de lucro, custos, despesas, investimento inicial, tendência, técnicas e parcerias. Essa é uma atividade demorada, irritante e que exige muita paciência (sério) o que tem sido um tremendo desafio, porque não sou muito paciente, o que ajuda é que tenho um sócio e ele é bem paciente, dando umas podadas quando começo a agir com impulsividade. Ano passado fizemos nossa empresa é uma micro empresa, voltada para a área de tecnologia de informação, mas já podemos dizer que estamos tendo resultados pois não fechamos o primeiro ano no negativo, só que sem lucro também, os impostos realmente são dureza para quem está começando e se deve ter um caixa bem preparado para várias surpresas, a vantagem é que não temos escritório e com isso reduzidos todos os custos com bens físicos, nossas despesas fixas são apenas com impostos.

 Com o conhecimento que saímos da faculdade notamos que não estamos prontos para o mercado, nossos primeiros clientes foram empresas de médio porte e somos duas pessoas bem jovens, primeiro tivemos que ganhar a confiança deles e não foi nada fácil, reuniões e mais reuniões, almoços, e-mails e telefonemas, para uma grana não tão grande só que projetos que iriam nos agregar bastante no portfólio e resolvemos batalhar por eles, alguns perdemos e outros fechamos, finalizamos o trabalho com o máximo de qualidade que poderíamos oferecer e no melhor tempo possível, todos ficaram contentes com o resultado final e aparentemente tudo estava bem, até que por inexperiência esquecemos de ir atrás dos impostos e em janeiro deste ano (2013) recebemos uma intimação da Secretaria de Finanças nos informando sobre uma dívida ativa em aberto da nossa empresa, bateu um desespero porque o dinheiro era mais do que conseguimos ganhar com os clientes, para explicar melhor havíamos pago um imposto bem alto anteriormente sobre taxa de fiscalização e não sabíamos que haviam mais impostos (mensais) para pagar e eles acumularam, com juros bem salgados, enfim pagamos com dinheiro do bolso e com o lucro todo da empresa, ficando praticamente no zero a zero. O grande problema de abrir uma empresa não é o dinheiro para montar e sim o dinheiro para manter, o dinheiro para caixa mensal.

Agora já estamos mais espertos com essas situações, temos um sistema que avisa sobre os impostos para pagar e controlamos as notas fiscais, atas de reunião, temos contratos e escopos guardados e assinados, tudo está caminhando bem e o próximo passo é dedicar 100% do tempo e esforços para a empresa, por enquanto todos continuam em seus empregos fixos e tocando a empresa nas horas vagas, não é o ideal sabemos, mas por enquanto ela não se paga nem de longe para largar tudo.

Espero que tudo dê certo e assim consiga passar para vocês sobre esse momento turbulento entre a mudança do trabalho assalariado para a vida como empreendedor, quem tiver experiência com isso ou quiser compartilhar sua história seria muito bom e estamos dispostos a publicá-la, ou pode deixar nos comentários que será de grande ajuda.

 

 

Invista em você!