Conforme comentado nas novidades para este ano do site General Investidor teremos colunistas colaborando ativamente para a melhoria do conteúdo na frequência e na variedade, então apresento a vocês o mais novo colunista, estudante em Ciências Econômicas e que está conduzindo um estudo sobre o comportamento dos investidores que têm ou tiveram contato com o Mercado de Valores, alguns devem já ter conhecido sua história pois ele forneceu uma entrevista a ADVFN em novembro de 2012. Seus artigos terão como foco a educação financeira e as análises de ativos, sem palavras difíceis e direto ao assunto, espero que apreciem!

Na faculdade ouvi uma história bizarra, para piorar foi da boca de um professor. Um economista há anos, experiente, o famoso “macaco-velho” das finanças, sabia de tudo um pouco. Ele dizia: “Um economista quando quer comprar alguma coisa, por exemplo um planeta, ele junta todo o dinheiro e quando finalmente pode comprar, pensa, ‘já esperei até aqui, agora vou esperar só mais um mês pro dinheiro render mais um pouquinho e, então, eu compro o planeta e ainda me sobra dinheiro’… depois de um mês ele vê que a quantia está maior e, consequentemente, os rendimentos serão maiores ainda, então ele aguarda só mais um mês e… só mais um mêsinho… e só mais um… e mais um”!

planeta

Caramba… Quando ouvi isso pensei “será que todo economista é tão pão-duro assim, a ponto de não realizar seus desejos e vontades só pra não gastar seu dinheiro?”. Acho que muita gente pensa que esta história é absurda, que é o cúmulo do “pão-durismo”, enfim! Hoje entendo o “X” da questão. Não é o caso de abrir mão, ou não, de adquirir algo para ter uma melhor qualidade de vida, o que se trabalha aqui é simplesmente um pensamento óbvio que todos sabem, mas que infelizmente a minoria dos que conhecem praticam. O pensamento éÉ MAIS RICO QUEM TEM MAIS DINHEIRO.

Não é óbvio? Imagine que Adriano (fictício) ganhe ao mês, $1.500,00 de salário e que seus gastos com água, luz, telefone, TV, estudo, combustível, aluguel, saídas, etc… Somam $1.375,00. Sendo assim, lhe resta $125,00 e Adriano resolve guardar este dinheiro para uma eventualidade. Agora imagine que Geraldo (fictício) ganhe $7.900,00 e que seus gastos totais são de $5.970,00. Lhe resta, então, $1.930, porém, vendo que “Êba! Sobrou dinheiro”, Geraldo resolve presentear sua namorada com um lindo anel no valor de $1.000 e… “Êba! Ainda sobrou mais”, agora Geraldo vai levar sua namorada para jantar e gastar mais $400,00 e depois ainda vai comprar um sapato (mesmo já tendo 15 pares no armário) por $250,00 e, por fim, comprar uma bicicleta no valor de $2.800,00, dividida em 10 parcelas inacreditáveis, sem juros.

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A pergunta é: Quem é mais rico?

Ora, Geraldo ganha mais que o quíntuplo de Adriano e, acima de tudo, nota-se que Geraldo possui uma qualidade de vida espetacular. Porém no final do mês a conta bancária de Geraldo está zerada e a de Adriano está com a quantia de $125,00. Se você precisasse de $100,00 emprestado, urgentemente, quem te emprestaria? Então a resposta da pergunta é: Adriano. Simplesmente porque Geraldo trabalha 100% para “os outros”, porque todo o seu salário fica nas mãos das empresas, do restaurante, da loja de calçados e da loja de bicicletas. Já Adriano não tem essa obsessão por gastar e acaba por poupar pouco mais de 8% do salário. Observe que Adriano não deixa de gastar e consumir o que necessita para viver bem para poder poupar, ele apenas poupa o que sobra.

O que acontece hoje é que a sociedade está cheia de Geraldo’s e, sem precisão alguma, inventam compromissos para seus dinheiros simplesmente porque sobrou e o pior, como se não bastasse o mês atual, ainda fazem parcelas com o que sobra, comprometendo assim, vários meses por vir. Para essas pessoas o que resta é (me desculpem a brincadeira) pegar com Deus e orar para que ninguém passe mal, o carro não estrague, enfim… Porque senão! “Onde consigo um empréstimo consignado com juros baixinho?”. E sair dessa é difícil.

O economista da primeira história só não comprou o planeta porque sabia que iria gastar tudo o que tinha e voltar a estaca zero. Ainda que ele agora possuísse o bem, para fazê-lo se tornar dinheiro “vivo” levaria certo tempo, pois teria que vendê-lo. Quanto mais dinheiro se tem, maiores serão seus rendimentos e cada vez mais rico você fica. Não foi pensando nisto que Alice Schroeder escreveu a biografia de Warren E. Buffett (o terceiro homem mais rico do mundo) e a intitulou de “A bola de neve”?

Assim, deixo para este célebre pensamento, se possível, escreva-o em um pequeno papel e cole-o em algum lugar onde você possa lê-lo todos os dias: “QUANTO EU TENHO NO BANCO HOJE? É MAIS DO QUE ONTEM? LEMBRE-SE: É MAIS RICO QUEM TEM MAIS DINHEIRO.

 

Escrito por: Luciano Moulin
Estudante em Ciências Econômicas pela PUC.