A crise econômica, que teve início nos Estados Unidos em 2008, deu, sem dúvida alguma, outro aspecto para as economias mundiais. Alguns autores já arriscam a chama-la de “Grande Recessão”, fazendo alusão à “Grande Depressão” que o mundo sofrera na década de 30 do século passado.
Bom, sendo isso ou não, está claro que esta é a primeira grande crise do século XXI, destaca-se a sua extensão no tempo, a sua propagação em nível mundial, atingindo a grande maioria das economias e os impactos sobre a geração de renda e emprego.
Na crise do século passado o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos da América (EUA) sofreu queda por quatro anos consecutivos, de 1929-33, chegando a reduzir 25%.
Considero que a nossa atual tecnologia avançada, que permite uma comunicação rápida, simples e barata entre os países, é uma das grandes responsáveis pela recuperação dos governos e das empresas nas tomadas de decisões, não fosse isso certamente estaríamos chorando até hoje os aspectos devastadores que veio junto com a crise. Salvo as devidas proporções, nesta crise a recuperação dos países foi mais acelerada, mas, conforme o economista André Luiz Cotri, analisando quantitativamente, verifica-se que a queda no PIB dos EUA foi uma das maiores já verificada em comparação com todo o século passado.
Fico a imaginar, se na grande depressão o PIB reduziu 25% em quatro anos e na crise de 2008 esse valor foi superado, se a recuperação não fosse mais acelerada, onde estaria o nível de desemprego dos Estados Unidos? A resposta é simples, bem no fundo do poço!
Devido a recuperação acelerada das empresas e as decisões do governo frente a crise, sensatas, a taxa de desemprego não atingiu patamares obscuros como em 1929. Assim, com as famílias mais “empregadas”, recebendo salários, a taxa de consumo permaneceu estável e foi um pilar para a retomada da ascensão do PIB. Observemos o gráfico:

A recuperação da economia norte-americana diante da crise econômica atual.

Crise economica pib x consumo

Fonte: BEA (2013)

O gráfico nos traz uma informação. A taxa do Produto Interno Bruto tem acompanhado religiosamente as oscilações da taxa de consumo. Nos três últimos anos, a economia vem tendo um crescimento lento, mas constante e a recuperação dos EUA está se baseando no consumo e no endividamento das famílias.
Em outros países, onde os devidos cuidados não foram tomados, deixou-se que vigorasse o desemprego, assim o consumo foi ao chão e nestes a crise impera fortemente até hoje, como a Espanha por exemplo.
Desta forma concluo com o seguinte pensamento: é claro que a economia é muito mais complexa do que apenas taxa de consumo e taxa de PIB, é impossível abordar a economia por completo em poucas palavras, mas, sem dúvidas, a correlação entre essas taxas é alta e a geração de empregos, com salários mínimos, que seja, é a base para um avanço econômico de uma nação.

Escrito por: Luciano Moulin
Bacharel em Ciências Econômicas pela PUC.