Sabemos que muitos brasileiros não têm bons hábitos financeiros.
Ao conhecer as histórias de grandes investidores como Warren Buffet, George Soros e Benjamin Graham, acreditamos que essas pessoas já nasceram com grandes fortunas e não tiveram nenhum esforço para construir o seu patrimônio. De certa forma, essa maneira de pensar deixa os iniciantes muito desapontados em busca da tão sonhada independência financeira. Para simplificar, vou contar para vocês como foi a minha trajetória como investidor.

Antes de tudo, o mais importante é investir em conhecimento. O risco por trás de um ativo, consiste na ignorância ou falta de estudo sobre o mesmo. Para um estudioso e de perfil agressivo, investir em ações pode ser muito menos arriscado do que um iniciante que não tem a menor noção do funcionamento de um CDB. Mesmo que o segundo seja um ativo conservador, tê-lo em carteira sem estudo é um risco muito maior do que um especialista em ações.

Como venho de uma família muito conservadora, mas muito consciente financeiramente, antes mesmo de nascermos, eu e meu irmão já tínhamos uma poupança (caderneta de poupança mesmo), feita por nossos pais com o intuito de custear os estudos e gastos com educação. Portanto, a educação financeira sempre me despertou muito interesse já na adolescência.

Inicialmente fui estudar por meio de blogs de especialistas conhecidos no ramo como o Rafael Seabra do blog Quero Ficar Rico e o Henrique Carvalho do HC Investimentos. Fiquei tão entusiasmado que decidi me aprofundar adquirindo o ebook dos dois autores, que são o “Como investir dinheiro” e “Alocação de Ativos”, respectivamente. O primeiro é um manual bem simples sobre o mecanismo por trás dos investimentos. A mentalidade de poupar e quitar dívidas antes de investir é um dos hábitos difundidos no livro. Ensina também como livrar-se das taxas que consomem nosso patrimônio, serviços que não são mais úteis e dá muitas dicas para iniciantes principalmente sobre investir no tesouro direto com pouco dinheiro. Vale a pena a leitura.

Já o livro do Henrique Carvalho, é um pouco mais complexo e aborda os princípios por trás da montagem e manutenção da sua carteira de ativos. Alocação de ativos nada mais é do que a escolha dos ativos de acordo com o seu perfil (moderado, conservador e agressivo) e o prazo de investimentos (curto, médio, longo) de modo a encaixá-los nas porcentagens que você deseja e sente-se mais confortável. Assim, você diversifica naturalmente os seus investimentos de modo a não se expor desnecessariamente em ativos que não fazem parte do seu perfil.

Exemplo de alocação de ativos de um investidor conservador:
Vamos chama-lo de Investidor A
Renda fixa = 90%
Renda variável = 10%

Renda fixa – CDB e TESOURO SELIC
Renda variável – ações (petro e vale)

Dos ativos em renda fixa, 60% fica em CDB e 40% em Tesouro Selic
Dos ativos em renda variável, 30% vai para compra de petro e 70% em Vale.

A alocação de ativos vai variar muito de acordo com o perfil, idade, disponibilidade de aporte de cada investidor. Geralmente, investidores mais novos podem se dar o luxo de investir mais em renda variável já que tem um horizonte de investimento muito longo para corrigir falhas e perdas ao longo do percurso. Por outro lado, um aposentado dificilmente vai arriscar 90% do seu patrimônio em renda variável (ações, fundos imobiliários, etc), e vai preferir ser mais conservador. Embora isso não seja uma regra, o que vai mandar é o seu perfil.

Após a leitura desses dois livros, continuei buscando conhecimento e me especializei aos poucos nos investimentos. Adquiri muitos livros de educação financeira e vou dividir com vocês alguns que são clássicos e indico como leitura obrigatória a todos os investidores.

1- Pai Rico, Pai Pobre – Robert Kiosaki
2- Os segredos da mente milionária – T. Harv Eker
3- O homem mais rico da babilônia
4- Quem disse que dinheiro não dá em árvore?

Meu primeiro investimento foi o Tesouro direto. Acho que o Tesouro pode ser a porta de entrada a todos os investidores iniciantes pela facilidade. Hoje o tesouro direto tem liquidez diária, é possível comprar com no mínimo 70 reais, pode-se comprar em datas diferentes, existem ativos para todos os perfis e horizontes de investimento. Para isso, deve-se estudar cada ativo antes de formar a sua carteira, de modo a evitar prejuízos. Se você ainda tem receio de tirar o seu dinheiro da poupança, vou deixar abaixo um passo a passo para perder o medo.

  1. Crie conta em uma corretora de confiança e que cobre um preço justo
  2. Transfira uma quantia pequena da sua conta do banco para a conta virtual da corretora
  3. Aguarde o dinheiro entrar na conta virtual da corretora e realize a compra do ativo
  4. Aguarde a liquidação e a efetivação da compra
  5. Venda o ativo e aguarde a efetivação da venda
  6. Após o dinheiro cair na conta virtual da corretora, transfira para a sua conta do banco

Com menos de 100 reais, é possível comprar o ativo mais conservador do TESOURO DIRETO. Muito mais barato do que a maioria dos cursos na internet, não?

Deve-se ter muita atenção em alinhar os seus objetivos de vida com a compra dos ativos. No meu caso, a escolha do Tesouro foi a praticidade e rentabilidade superior à poupança, de modo a proteger o meu patrimônio. O meu primeiro ativo foi o TESOURO SELIC (que acompanha a variação da taxa Selic), na intenção de ter uma reserva de emergência. Compro também com a intenção de formar uma reserva para a compra de ativos no caso de uma liquidação como ações e fundos imobiliários.

Hoje, minha carteira é formada por 60% de Renda Fixa e 40% de renda variável.
Da carteira global:

  • 28% está em TESOURO IPCA 2019 (para aquisição de um negócio próprio)
  • 7% em TESOURO IPCA 2024 (proteção contra inflação e diversificação)
  • 10% em TESOURO SELIC 2017 (compra de ativos com muito desconto)
  • 5% em TESOURO SELIC 2021 (reserva de emergência)
  • 40% em renda variável em FUNDOS IMOBILIÁRIOS (12 fundos no total) com a intenção de geração de renda passiva planejando minha independência financeira antecipada, proveniente dos alugueis dos fundos imobiliários.

Essa é a minha alocação de ativos atual e me considero um investidor moderado. Pretendo aumentar a exposição em renda variável aos poucos conforme vou conhecendo melhor os ativos. Futuramente pretendo comprar ações para dar uma turbinada na carteira. Muito importante ressaltar que só fui investir em renda variável após dominar os principais ativos de renda fixa (CDB, TESOURO SELIC, LCI, LCA, por exemplo) e fui migrando aos poucos para a renda variável até uma porcentagem em que me sentisse seguro.

Perceba que não é tão complicado investir. O ideal é que você invista na sua formação e invista sem pressa. O planejamento e a alocação de ativos é essencial para o sucesso do investidor no longo prazo. Definir uma estratégia e porcentagens vai evitar que você compre um ativo que não é compatível com seu perfil.