Quero escrever um pouco sobre como formei minha carteira de ações e fazer uma comparação com as Ações e os Fundos Imobiliários, o perfil que vou abordar neste artigo será apenas o de Buy & Hold, investidores que se definem como fundamentalistas de longo prazo, ou seja, verificam alguns indicativos das empresas, compram e seguram para prazos acima de 5 ou 10 anos esperando uma valorização acentuada para realizar lucros ou mesmo nunca realizar lucros apenas com o objetivo de receber dividendos e juros sobre capital próprio.

O que analiso para a Carteira de Ações?

Para se adquirir uma Ação existem muitos aspectos que podemos analisar, vou dizer os indicativos que eu gosto de observar antes de estudar mais a fundo uma empresa:

  1. P/VP (Preço da ação dividido pelo seu Valor Patrimonial, quanto menor, mais margem de segurança)
  2. P/L (Preço da ação dividido pelo lucro por ação, quanto menor, em menos tempo se recupera o investimento em anos)
  3. Ativo Circulante (Todos os ativos que a empresa tem para receber em até um ano)
  4. Passivo Circulante (Toda a dívida que a empresa precisa pagar em até um ano)
  5. Passivo Não-Circulante (Dívida que a empresa precisa pagar com prazo acima de um ano)
  6. Transparência (Prioridade para empresas listadas no Novo Mercado)

Basicamente são esses os dados que procuro antes de pesquisar a fundo uma empresa e analisar suas DRE, Balanços, Gestão, Setor e etc…. Considero esse filtro inicial importante para me proteger de compras com baixa margem de segurança e pouca chance de grandes lucros, não é uma verdade absoluta como não pode existir uma em um mercado de Renda Variável, é apenas uma técnica que utilizo com base nos meus estudos fundamentalistas e investindo na prática por cinco anos na Bolsa.

Tudo depende do Perfil

Cada investidor deve definir seu perfil e suas técnicas para comprar e vender uma ação, quando nos prendemos em estereótipos isso se agrava e vou explicar o porquê: Se definir como Buy & Hold ou como Trader gera algumas pressões para esse investidor que pode não suportar, como por exemplo ele comprou a ação XPTO3 e ela se valorizou em 6 meses cerca de 80% só que como ele se definiu Buy & Hold não quer realizar o lucro, pois isso seria uma coisa que um Trader faria e ele não é um desses, vendo depois o preço cair e se lamentar por não ter efetuado o lucro.

O longo prazo é muito difícil para se medir e as análises que fazemos agora são com dados PASSADOS e o que tentamos fazer é uma previsão do FUTURO, esquecemos que entre o dia de hoje e a mesma data em 2030 teremos Copas do Mundo, Olimpíadas, Eleições, Crises, Bolhas e diversos eventos que vão ser utilizados pelo Mercado para criar expectativas sobre a economia e as empresas.

O futuro não pode ser medido com exatidão como alguns investidores parecem transparecer e o que podemos fazer é buscar empresas descontadas agora e traçar um objetivo de lucro seja por venda parcial do ativo ou no recebimento de dividendos com um olhar periódico, seja mensal ou semestral, mas jamais como era encarado antigamente, Buy & Forget, comprando uma Ação só porque está descontada e esquecendo esse papel na corretora rezando para que um dia se valorize várias vezes o que pagou para ainda ficar indeciso se venderá ou não, pois afinal pode sempre subir mais um pouco.

Ações vs. Fundos Imobiliários

Nessa parte as Ações se tornam muito divergentes dos Fundos Imobiliários, pois com os FII de tijolos lastreados em imóveis físicos, sabemos que aquele empreendimento provavelmente será o mesmo daqui vinte anos e alguns até possuem contratos com duração nesse tipo de prazo, já uma empresa não pode te prometer os mesmos dividendos nem para um horizonte de três anos, quanto mais de vinte anos.

Em contra partida, uma empresa pode te gerar uma valorização maior do que alguns prédios, pois esta possui capacidade de ampliar seus negócios com maior facilidade, explorar novos nichos e criar novas receitas. Isso um FII não pode fazer, sendo de papel ou de tijolo, sua captação serviu para adquirir ativos e mesmo quando falamos de gestão ativa estamos presos a imóveis e com dinheiro limitado pelo esforço em vender acima do valor patrimonial daqueles empreendimentos e buscar oportunidades melhores em um mercado valorizado ou em novas chamadas de capital que também pode ser feito nas empresas por meio da emissão de mais Ações.

Não existe na minha concepção uma Carteira de Ações Ideal ou a Alocação de Ativos Perfeita, o que existe é a carteira que cabe em seu perfil e que te deixa tranquilo, seja buscando valorização e dividendos nas ações ou fluxo de caixa nos FII, creio mais em capacitação do investidor, citando Benjamin Franklin:

Investir em conhecimentos rende sempre melhores juros.