Imaginemos um jogo de futebol, Time A versus Time B, olhamos para o placar e deparamos com 3 x 1, respectivamente, a conclusão é simples, o Time A está vencendo. Se tivéssemos que fazer uma aposta, certamente optaríamos pelo Time A. O artigo estaria encerrado se o objetivo tratado aqui não fosse economia e o nosso bolso.

No mercado econômico, mais precisamente o mercado acionário, nem sempre o que se lê é o que quer dizer. Por exemplo, Receita NÃO É Lucro, ou Valor de Mercado da Firma NÃO É Valor da Firma. Essas confusões fazem com que muitos investidores, geralmente os iniciantes, optem por fazer compras erradas e assumindo prejuízos no curto prazo. Baseado nisto, trago uma pequena, clara e objetiva análise de uma empresa com o intuito de mostrar como analisar o seu “placar” e saber se vale a pena uma aposta.

Para uma análise de uma empresa existem basicamente duas opções: analisar pelo fundamentalismo, onde estudo todo o passado da empresa e as consequências geradas pelas ações dos diretores nos rendimentos da firma; e analisar tecnicamente, o que os grafistas fazem, usam ferramentas virtuais para calcular e tentar prever, mais próximo possível, o preço futuro de uma ação. Neste artigo, tratarei de uma análise fundamentalista baseada no balanço anual (bem básico, para facilitar o entendimento).

A Demonstração de Resultados é o que toda empresa é obrigada a fazer, no fechamento de cada ano e expor para os sócios (acionistas), este é o tal “placar” da empresa. Resumi bastante a tabela abaixo para mostrar o básico que procuro.

Fonte: Criado pelo autor com dados fictícios de uma empresa fictícia.

Fonte: Criado pelo autor com dados fictícios de uma empresa fictícia.

O estudo que se segue é conhecido como Análise Horizontal x Vertical.

Em 2010 a relação entre Lucro Bruto com Despesas Operacionais (100 x 82), indica que a empresa está bem controlada financeiramente e que tem potencial para crescer ainda mais. Despesas operacionais são os gastos que não foram computados nos custos e que são essenciais para um crescimento da firma, isso significa que a empresa pode gastar um pouco mais com investimentos que lhe darão maiores retornos no futuro, ou seja, ela ainda pode crescer. Vale lembrar que estes dados são fornecidos apenas no início do próximo ano, no caso em 2011.

Em 2011, como previsto, a empresa parecia ter deslanchado. Crescimento das receitas de 180% ante apenas 133% do CMV – Custo das Mercadorias Vendidas –, significa um aumento das margens. Enquanto o Lucro Bruto aumentou 250%, as Despesas Operacionais avançaram 50%, diluindo os custos fixos, o que ocorre geralmente em fases de crescimento.

Aqui chegamos no ponto crítico da análise. Um investidor iniciante, vendo este crescimento (seja qualquer empresa), sofre de um “comichão de compra”, ele não fica quieto enquanto não comprar tudo o que puder da empresa, afinal, ela está crescendo demais, pois o seu Lucro Líquido foi de 19mil para 130mil (espantosos 584%). Porém, ver o placar da empresa não significa apenas ver os lucros. Cabe analisar, também, o aumento de 140% na Folha Salarial, além da Depreciação da empresa que também aumentou. Lidar com lucros absurdos é relativamente difícil, pois há uma pressão dos fornecedores para que as compras de mercadorias aumentem, enfim. PESSOALMENTE, eu ligaria para a empresa e procuraria saber quem é o diretor financeiro, estudaria sobre a vida do cara, onde formou, quais as suas experiências, enfim, para que isso me traga maior confiança em continuar/apostar na empresa.

Prosseguindo. Em 2012 um grande retrocesso, as receitas crescem menos que o CMV. As Despesas Operacionais explodem. Comparando com 2010, o Lucro Bruto cresceu 215% e as Despesas Operacionais, 279%. Destaque para a Folha Salarial que cresceu 360%, corroendo as margens.

caindo-subindo

Daí a decepção, apesar do aumento das vendas, os custos sobem mais do que proporcionalmente. As despesas com matéria prima (CMV) talvez estejam fora do controle (pressão dos fornecedores). Não se observa esforço algum para uma contenção das Despesas Operacionais. Com isso a empresa fecha o ano com uma queda de 95% nos lucros.

Observe como parece ser confuso; mesmo com uma queda de 95% no Lucro Líquido, a empresa cresceu, afinal, ela obteve lucro. Isso significa que, mesmo tendo grandes gastos, ela conseguiu arcar com cada uma das contas, porém o seu valor de mercado caiu e é exatamente isto que dá retorno aos acionistas.

Cabe lembrar que os dados são fictícios, mas as contas aqui tratadas (Receita, CMV, Despesas Operacionais, Salários, etc.) são reais, o balanço anual das empresas vem especificando cada conta. Apesar de básico o estudo é fundamental para o investidor iniciante fazer, em 10 minutos, uma leitura do placar da empresa e saber se ela tende a ganhar no próximo ano. O objetivo é familiarizar o pequeno investidor com estas análises para que ele possa fazer melhores compras dos ativos e realizar lucros.

 

Escrito por: Luciano Moulin
Estudante em Ciências Econômicas pela PUC.

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