Benjamin Graham além de ter sido o investidor mais bem sucedido nos Estados Unidos entre os anos 1950 e 1970, superando anualmente em até 50% o rendimento médio do Mercado, foi também um dos precursores da análise fundamentalista nos investimentos conhecida como Buy and Hold.

Suas ideias dão base às teorias de investimentos posteriores e seus livros são estudados em Universidades de Administração até hoje. Além disso, vale citar que um de seus alunos mais bem sucedidos é Warren Buffet.

Em seu livro, O Investidor Inteligente, Graham trata sobre como devemos nos portar em relação a nossos investimentos. De hábitos e atitudes que precisamos construir e manter, para que nossas escolhas neste campo reflitam rendimentos, ofereçam uma proteção apropriada e nos auxiliem a construir uma Carteira sólida com o passar do tempo.

Essa estrutura intelectual envolve conhecimentos também, mas principalmente, implica que sejamos fiéis a certos princípios de investimento.

Os princípios de O Investidor Inteligente

Livro O Investidor Inteligente

Toda essa conversa parece um tanto distante e nebulosa, de uma forma que somente aplica-se a um grupo de pessoas que tem muito dinheiro para investir e muito tempo para dedicar a adquirir conhecimentos. Mas na verdade os mesmos princípios apresentados também podem ser aplicados em nossa vida financeira diária.

A interpretação mais básica e útil que podemos ter desses conceitos envolve três aspectos: (1) Não faça dívidas; (2) Separe uma parte de seu dinheiro periodicamente destinada a Investimentos; (3) faça com que esse dinheiro renda.

É natural que o ceticismo seja nossa primeira reação quando nos deparamos com essas afirmações, “Como afinal não ter dívidas quando o metro quadrado de um apartamento na região metropolitana de São Paulo vale de 5 a 10 mil reais?”, ou “Como economizar dinheiro ganhando 2 a 3 salários mínimos por mês?”.

A questão é que quando temos como alicerces certos princípios para gerir nosso dinheiro e os seguimos independente das circunstâncias, damos margem para que nossa experiência cresça e nossos conhecimentos aumentem.

Nos concentramos em realmente responder essas perguntas, ao invés de somente evita-las ou “deixarmos para quando for possível”. O mais surpreendente é que acabamos nos deparando com respostas que antes não tínhamos considerado nem serem possíveis.

Entretanto, o autor vai além e infere novos fundamentos de investimentos e gestão financeira, aplicados principalmente ao campo de Ações, Títulos Públicos, debêntures e tantos outros ativos financeiros.

 

1. Não siga o Mercado, adquira o hábito de pensar por si mesmo

O Mercado acionário brasileiro é composto por centenas de milhares de pessoas, sendo que somente a Bovespa gere um patrimônio de R$19 bilhões, e um único título pode ser negociado centenas de milhões de vezes por dia. Conforme a lei da oferta e procura, um grande número de pessoas comprando o título gera uma alta de preços dele, assim como a venda gera um movimento contrário.

Muitas pessoas dedicam grande parte de seu tempo a tentar prever as tendências que possam surgir, criando métodos matemáticos complicados. Mas um dos pontos salientados é exatamente o quão inútil é esse exercício, já que basicamente trata-se de uma tentativa de prever o futuro. Consequentemente, o comportamento e as tendências do Mercado somente podem ser analisados retroativamente.

Graham faz uma alusão ao Mercado chamando-o de Sr. Mercado:

O Sr. Mercado é muito prestativo, todos os dias ele lhe informa o que pensa ser o valor de suas ações, ou seja, da participação que você possui naquele empreendimento. Além disso, se dispõe a comprar de você ou vender a você uma participação adicional.

O problema é que o Sr. Mercado sofre de Transtorno Bipolar. Às vezes sua ideia de valor parece plausível e justificada pela evolução e pelas perspectivas do negócio da forma como você as conhece. Outras vezes, ele deixa o entusiasmo ou o receio tomar conta dele e o valor que lhe propõe parece pura bobagem.

Se você é um investidor inteligente, deixaria as comunicações diárias do Sr. Mercado influenciarem sua opinião sobre o valor de uma participação?

Só se você concordasse com ele ou então desejasse negociar. Você pode ficar feliz em vender para ele quando ele cota a um preço ridiculamente alto e igualmente feliz em comprar dele quando seu preço é baixo. No entanto, no resto do tempo, você seria mais esperto se formulasse suas próprias ideias acerca do valor de sua carteira.

Tomemos como exemplo a Petrobras. Em Janeiro de 2016 as cotações das ações ordinárias chegaram a R$5,91 e das preferenciais à R$4,20. Em um intervalo de apenas dois anos, uma desvalorização média de 77% sobre o valor das ações. De top 20 entre as maiores empresas do mundo, a Petrobras ocupa a posição 416ª no ranking da Forbes.

Existe algo que justifique essa queda tão brusca? Nossa primeira resposta pode ser os escândalos de corrupção, assim como a desvalorização de 46% do barril do petróleo neste período. Mas somente os números podem realmente justificar se é este o caso.

Em 2015 a Petrobras possuía um ativo total de R$900 bilhões e um Patrimônio de R$257 bilhões. Ao longo de 5 anos ambos indicadores tem crescido 11% a.a. Assim como sua receita antes dos impostos, sendo R$65 bilhões neste ano. Nos dois últimos anos, entretanto, ela apresentou prejuízo totalizando R$55 bilhões. Por fim, sua dívida liquida está em R$330 bilhões, e ainda assim mais concentrada para ser paga no longo prazo, ou seja, é uma dívida bem distribuída.

A margem média da Petrobras é de 28%, seu retorno sobre patrimônio médio de 9%. Em nenhum ano a relação “Caixa X Vencimento da Dívida” foi negativa… O mínimo que podemos concluir disto é que seus fundamentos são sérios, ao contrário, por exemplo, da OGX.

De fato os R$6 bilhões desviados (divulgação oficial da empresa) são gravíssimos. Mas que empresário pensaria em vender seu Negócio lucrativo e com grandes expectativas de crescimento devido a furtos de seus funcionários?

Quais, então, destes dados justificam que a empresa seja negociada praticamente a metade (0,51 vezes) do total de seu Patrimônio Líquido?

Tendo em vista que ela seja capaz de pagar suas dívidas e que R$130 bilhões (do ativo circulante da empresa) não vão evaporar do dia para a noite, a única resposta possível é que esse é o reflexo de mais uma das crises psicóticas do Sr Mercado.

A moral da história é de que quando você se distancia dos ruídos do Mercado, e passa a tirar suas próprias conclusões, é provável que comece a tornar-se claros esta e outras oportunidades.

 

2. Saiba o que está fazendo, conheça seu Negócio

Ninguém deveria investir em uma companhia, seja qual for a qualidade de seus produtos ou o movimento de seu estacionamento, sem estudar seus balanços financeiros e sem estimar seu valor comercial.

Nesse contexto, todas as demonstrações financeiras (Balanço Patrimonial, Demonstração de Resultados de Exercício, Fluxo de Caixa…) assim como a qualidade da administração da empresa são importantes. Elas indicam os fundamentos da empresa, que são, entre outros, sua estrutura de capital, endividamento, múltiplos, histórico e evolução de lucros…

O objetivo é localizar companhias maratonistas. Ao examinar os dados retroativamente, se as receitas e lucros líquidos crescem de forma consistente e constante nos últimos 10 anos, temos motivos para analisa-la mais profundamente.

Devemos encarar operações de investimento como equivalentes a um negócio empresarial. Ao comprar uma ação, você se torna um dos donos da companhia. Seus gestores, toda a hierarquia até o presidente trabalham para você. Por menor que seja sua participação, você possui o direito (e também o dever) de prestar atenção em como seu negócio está sendo administrado e cobrar por isso.

Em termos práticos, o conselho é para que foquemos a atenção à duas questões básicas: a gerência é razoavelmente eficiente? (2) os interesses dos acionistas estão sendo reconhecidos (em forma de dividendos)? Caso alguma dessas respostas seja “não”, você deveria cobrar por isso, ou simplesmente se desfazer de sua participação naquela empresa.

 

3. Tenha claro em sua política de investimentos a diferença entre investir e especular, assim como a distinção sobre que tipo de investidor você é

Podemos definir um investimento como “uma operação em que, após análise, promete segurança do capital investido e um retorno adequado”.

Pense num individuo que opera alavancado, ou seja, sem nem ao menos ser proprietário das ações que está vendendo, fazendo várias operações por semana e trabalhando com a expectativa de que os preços subam ou desçam tentando a todo instante prever esse movimento.

Além de estar bancando as taxas de negociação de corretoras, a tendência é que os grandes lucros realizados nas vezes em que esse individuo acerta sejam anulados pelas grandes perdas de quando ele erra. Mais ou menos como um motorista que todos os dias dirige a 160 Km/h em uma via que permite somente 100 Km/h, algumas vezes dá certo, mas cedo ou tarde irá dar errado.

Seriam estas então as típicas operações especulativas, em que conta-se apenas com a sorte. Por outro lado, uma operação de investimento oferece sempre justificativas para que aquela operação que você realiza proteja seu dinheiro e também de algum retorno.

É importante também nos atentar ao significado da palavra “retorno adequado”. Ai reside precisamente a distinção entre o tipo de investidor que você é. Juntamente com o tempo que dedica e a experiência que possui na área, um tipo de investidor mais agressivo almeja rendimentos maiores e dedica muito tempo a consegui-los. Um investidor defensivo se contenta com os rendimentos médios possíveis.

Note que no Brasil, onde a taxa básica de juros está em 14% não é muito difícil (e é até mais conveniente) conseguir um retorno apropriado. Praticando reinvestimento e aportando sempre em uma Carteira composta por Títulos Públicos, o poder dos juros compostos deve formar um patrimônio razoável ao longo de alguns anos.

 

4. Preste atenção no preço da Ação, adquira o hábito de relacionar o que é pago e o que é oferecido

Uma grande companhia não é um grande investimento se você paga demais pela ação. Esta é provavelmente a lição mais importante do livro.

Graham aponta que uma característica essencial ao investidor é conseguir “relacionar o que está sendo oferecido e o que é pago”.

Benjamin Graham

Benjamin Graham

Ações com bom desempenho e uma perspectiva aparentemente boa são sempre negociadas a preços altos. Um bom exemplo disso é a Ambev, cujo proprietário é o grupo “3GCapital”. Entretanto isso gera um efeito negativo, uma vez que o Mercado paga um “premio” pelas expectativas positivas geradas em torno da empresa, cotando a ação ainda acima do seu valor justo.

Um exemplo do uso dessa abordagem é de Warren Buffet. Ele procurava por companhias com marcas fortes, negócios compreensíveis e uma boa saúde financeira como Gillete, Washington Post e Coca Cola. Quando um escândalo, prejuízo grande ou notícia ruim passa sobre a empresa, os fundos de investimentos de Buffett adquiriam ações subvalorizadas dessas empresas. Alguns anos depois, entretanto, quando os preços voltam a preços razoáveis, a valorização dos ativos é refletida na Carteira de investimentos destes fundos.

No entanto, infelizmente ao contrário do que se recomenda, muitos analistas de revistas importantes de grande circulação no Brasil hoje simplesmente recomendam a compra de ações de companhias boas e grandes, independente do preço e das condições externas.

 

5. A base de sua política de investimentos deve ser a Margem de Segurança

É natural imaginarmos que um Engenheiro, ao construir uma ponte cuja especificação indique capacidade de 15.000Kg, trabalhe com uma margem, permitindo que apenas caminhões de 5.000Kg atravessem-na.
O mesmo princípio aplica-se aos investimentos em ações. Ao adquirir uma participação em uma Companhia, procuramos por uma indicação de que mesmo em um cenário negativo, exista um colchão de segurança que nos proteja de eventuais perdas.

Na prática, essa margem pode significar muitas coisas. Uma companhia que, por exemplo, tem um patrimônio duas vezes maior que a dívida tem esse colchão, pois pelo menos teoricamente há um espaço para encolhimento de dois terços de seu valor. Outra, por exemplo, cujo preço negociado seja menor do que seu valor intrínseco também possui esta margem.

Uma outra maneira prática de adquirir uma margem de segurança é através de diversificação da Carteira de investimentos, não só visando diversos setores de produção para comprar ações, como também investindo em outros ativos, como Fundos Imobiliários ou Dólar.

 

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